Coisas daqui e de lá

19 05 2010

E depois de muito tempo sem postar, eu coloco o último post para encerrar minhas memórias da minha “eurotrip”.

Todos os dias que se seguiram e fazia um friozinho, mas havia sol no céu, aqui em São Paulo, eu sentia uma saudade de estar passeando pela Inglaterra e França. Dava uma saudade gostosa de acordar e decidir para onde eu queria ir, onde poderíamos almoçar, poder reparar nas pessoas, nos cheiros, nas paisagens.

Aqui em São Paulo tudo é corrido. Eu acordo olhando o relógio, como olhando o relógio, vou dormir olhando o relógio, vou ao banheiro olhando o relógio. Na hora do almoço é um corre-corre para eu não me atrasar para trabalhar, ou para chegar a tempo de uma reunião, tem um parque tão bonito em frente ao prédio da minha empresa e não consegui, até hoje, dar uma volta nele inteiro. Em Barcelona, na Espanha, é um costume as pessoas almoçarem nos parques, mesmo no frio em Brighton, ou no vento gélido de Paris, as pessoas paravam para estar ali no parque. Eu ainda não sei andar de bicicleta, mas quando souber também queria que pudesse ser um meio alternativo, mesmo com a iniciativa do governo de ter ‘bicicletários’ no metrô, nossas vias mal têm estrutura para pedestres, imagine uma ciclovia.

Tem tanta coisa que São Paulo não sai perdendo de Londres ou Paris, mas ainda tem a questão do povo. Nosso metrô é limpo, é rápido, bem melhor do que o metrô deles, mas o metrô de lá chega no horário, avisa se vai atrasar e as pessoas, elas realmente ficam na direita na escada rolante e realmente esperam todo mundo desembarcar do trem para quem está de fora possa entrar. Falta educação para o povo daqui, especialmente linha azul e vermelha.

Outra coisa interessante é quando eu vou ao centro da cidade, é um lugar em São Paulo que se eu pudesse destruiria e construiria de novo. Muitas partes da República e Anhangabaú me lembram o Rio de Janeiro e partes de Paris, hoje que lembrei que isso faz sentido já que os franceses se instalaram no Rio com a França Antártica – por isso que eu não gosto nem de carioca e agora, de francês (opinião minha) – e parte dos costumes, da língua, da cultura se mesclaram com os dos portugueses para formar a cidade que vemos hoje em dia por lá.

Depois de viajar, todos os dias em que me canso, porque faço faculdade, trabalho e tenho que dividir o tempo livre entre: família, amigos, namoro, estudo e lazer, e reparo que o tempo que sobra nunca é o bastante, eu tenho vontade de largar tudo e de sair viajando pelo mundo, porque o mundo é grande e tem tanta coisa para se conhecer e aprender, e eu fico aqui na mesa na frente do computador trocando meu precioso tempo por uma quantia de dinheiro que:

– Sofre descontos, porque chamam VT e VR de benefício, mas você tem que pagar parte deles;

– Se essa quantia ultrapassa 17 mil ao ano, eu preciso dar parte dela para o governo, já que eles chamam isso de renda (eu troquei meu tempo por esse dinheiro, renda não é isso, no meu ver);

– A quantia não dá para eu me sustentar sozinha e largar tudo e ir viajar o mundo.

Na Inglaterra você compra um carro usado por 300 libras, e ele funciona. Aqui, para eu ter o meu primeiro carro preciso de no mínimo 8 mil reais, e rezar para que ele não me deixe na mão no meio de uma estrada.

Mas, a pior de todas as coisas depois de tudo isso, é que eu ainda amo o Brasil.

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Dia II em Londres

25 03 2010

Acordamos no domingo, primeiro dia que fui tomar banho “comunitário”, ficava pensando no banho (que era unissex) quantos jovens de nacionalidades diferentes não tinham passado por ali, quando saí do banheiro ainda me deparei com um cara estranho entrando de toalha, depois dessa você perde qualquer vergonha pública. Daí os meninos foram tomar banho enquanto eu me trocava, as espanholas voltaram do café da manhã (aliás, a gente acordou porque elas não faziam nem um pouquinho de silêncio na hora de se trocar, usar o secador e sair do quarto), e eu perguntei: – ¿Cómo está el desayuno?, e uma delas respondeu: – Muy pobre, no tiene casi nada y se quieres beber suco tienes que comprar.

Então descemos os três e eu dei uma torcida de nariz pro breakfast, uma fila grande de pessoas, num lugar apertado, escolhendo comer torradas com manteiga e geléia e esperando o chá ou café com leite… Resolvi na hora que ia sair e tomar café no Starbucks, os meninos foram comprar sanduíches no Tesco, e eu meu muffin de blueberry (aqui no Brasil 8 reais, lá na Inglaterra se você for levar é £1,72 e se for comer lá é £1,92, e mal dá 4 reais).

De lá escolhemos nossa rota, ir pelo Hyde Park Inn até o Palácio de Buckinham e depois ao Madame Tussauds. Nesse dia tive que comprar luvas, que salvaram minhas mãos de queimaduras de frio – que o Vinicius estava antes de comprar as luvas dele. Passeamos pelo parque que acabava em um monumento em homenagem ao príncipe Albert, de lá tentamos achar o metrô mais próximo para nos levar ao palácio, no caminho encontramos um monumento que não sabíamos o que era até o Elias comentar na minha foto e dizer que era alguma coisa do Albert, depois entramos no British Museum (onde minha máquina pifou de vez) pela entrada do lado, e só queríamos ver os dinossauros ( o único que conseguiu tirar fotos foi o Vinicius). Eu gosto de museu, mas acho que tem que ter mais tempo e feeling pra ver o que tem lá dentro.

Depois que a gente saiu do metrô presenciamos uma corrida de “vespas”, que depois fui saber que é super normal em Londres, acho que eu teria uma vespa (mudança de idéia depois de estar quase sabendo andar de bicicleta). Então resolvemos ir andando até o palácio, passamos por uma rua que tinha cada casarão em ruas paralelas, e lojas de grife… Londres parece São Paulo, principalmente na variedade de coisas que você pode encontrar. Vimos lojinhas, lojas, vi a Hermione numa propaganda de bolsa. Até que chegamos ao palácio, que não é tão bonito quanto os portões dele, dá para ver as estátuas de ouro de longe… não vi os guardinhas com aqueles chapéus, ou a troca de guarda, mas vi que a família Real tem bastante cômodos.

Engraçado que andar tanto deixa a gente cansado, mas era tanta coisa legal para ver que eu sentava um pouquinho e já estava disposta a andar e a conhecer mais, tudo o que eu pudesse ver. Bateu a fome e então o Vinicius deu a idéia da gente comer o Fish and Chips, típico da Inglaterra, escolhemos um restaurante, bar, enfim, agradável para comer. O ruim é que quase todos os pratos vêm sem sal, – não sei se inglês morre de hipertensão. Então fomos parar na Oxford Street, a rua das lojas, a rua da compras. Não sei se posso comparar com alguma rua de São Paulo, em questão de roupas ela é uma Oscar Freire (imagina minha cara dentro da Harrods), mas tem lojas com preços acessíveis e artigos ótimos como a José Paulino.

De lá rumamos para o Madame Tussauds, e eu sem máquina… tivemos que nos virar com celular, no começo achamos que só íamos ver bonecos de cera, e até deu uma “desanimada”, mas conforme a gente ia seguindo o caminho havia mais atrações, como um caminho de “sustos”, você não sabia se eram bonecos de cera ou pessoas de verdade, depois entramos num carrinhos em formato de táxi que levavam a gente para passear pela história da Inglaterra… Pena que eu não prestei atenção em quase nada, só no percurso do carrinho, que ia pro lado, pra frente, subia, descia. Depois disso eu gostei mais do museu, é interativo. =)

De lá voltamos para a Oxford Street, fazer compras é sempre divertido pena que como era domingo não deu para esticar mais. Voltamos para o albergue, para descansar, desta vez sem as espanholas que tinham ido embora de manhã, o quarto ficou vazio, se a gente tivesse ficado mais uma noite com elas poderíamos ter feito amizade.

Monumento pro Albert

Hyde Park

Albert Hall

Corrida de vespas





England Sweet England

23 03 2010

Saindo de Brighton a gente foi finalmente conhecer Londres, aquela mesma Londres do Big Ben  e das pessoas descoladas. Quando saímos do aeroporto no primeiro dia eu e o Corvo nos assustamos com a malha ferroviária, onde tudo se liga, tem até metrô circular… uma bagunça organizada. Depois, quando a gente lembra que tem a manha de São Paulo, tudo fica mais simples.

Chegamos em Londres e fomos até nosso albergue para deixar as malas, o albergue ficava numa rua simpática paralela a outra rua cheia de restaurantes e lojinhas de souvernirs, e do lado de duas estações: Bayswater e Queensway (central). Resolvemos ver o Big Ben e a London Eye, que ficavam próximas e é um caminho que pode ser feito tranquilamente a pé.

Quando fomos para o Big Ben eu não vi nada de “Big”, mas ele é aquilo mesmo, uma torre, um relógio e muitos anos de história, às margens do rio Tâmisa (despoluído, sonho para um Tiête e Pinheiros da vida). Logo à frente a gente via a London Eye. Pegamos fila, e estava ventando muito, o frio é suportável, mas o vento não ajuda em nada… mesmo assim subir na London Eye foi muito bom, ver Londres de cima, o Big Ben iluminado, ruas, carros pequenos, o pôr do sol… magnífico. O ruim foi que minha máquina ficou sem pilha, o que me rendeu poucas fotos de cima.

De lá resolvemos conhecer a London Bridge, aquela mesma do filme das Spice que o ônibus cai de uma forma impossível, e aquela da musiquinha: “ A ponte de Londres vai cair, vai cair”… (espero que isso nunca aconteça). Não fui até a ponte, mas ela é linda do mesmo jeito, a vimos de longe ali quietinha, iluminada e toda charmosa, na época em que ela foi construída era um marco da engenharia civil. Da margem em que a gente estava havia umas esculturas modernas, um ovo gigante tombado, e uma galeria de lojas logo ali com outra escultura esquisita… notei que Londres é cheia disso, esculturas, monumentos, estátuas, devem ser presentes de aliados de guerra.

Resolvemos jantar, já  era umas 19hs quando resolvemos voltar para o albergue, como de manhã tínhamos comido fast food, e eu estava com vontade de comer kebab, fomos num restaurante comer kebab – que tinha outro nome no cardápio -, e eu não sei responder se aquilo era libanês, paquistanês, o que seja. De lá andamos pela rua e decidimos conhecer um Pub (claro, não podia faltar), conversamos entre nós, experimentei a cerveja do Vinicius, mas é difícil eu gostar da cerveja forte que ele toma… quando deu umas 23h30 resolvemos voltar, porque no dia seguinte teríamos o dia todo para passear.

O engraçado foi no albergue, era um quarto com dez camas, nós três e mais sete espanholas (para delírio do Corvo), e todas elas falavam bastante, e se trocavam na nossa frente (para delírio do Corvo parte II), o Vinicius não quis dormir na beliche de cima de uma delas, era meio que impossível subir nela sem pisar na cama de baixo, o que fez com que ele dormisse comigo na beliche de baixo da do Corvo. Elas cochichavam em espanhol, e não sabiam que eu entendia, e mulher é igual em todo canto do mundo, entendi direitinho elas comentando que uma amiga delas quando vai para albergue com o namorado também dorme junto em cama de solteiro – fiquei feliz ao menos pelo meu ouvido.

London Underground

Rua do albergue

Corvo e o Big Ben

London Eye

London Eye

London Bridge

Eu e Vinicius na Queensway