A hora e a vez dos Blogueiros

29 06 2009

Semana passada, antes da morte do Michael, eu ainda estava acompanhando o bafafá da revogação e os números que meu blog estava alcançando com tudo isso. Daí que recebi por email uma coluna do Digestivo Cultural que falava que agora jornalismo era fazer blog, não necessariamente com essas palavras.

Todos sabemos que há uma rixa entre blogueiros e jornalistas, e que não há um vencedor. Mas, com a internet e a propagação dos meios de comunicação que incluem a escrita como meio, não há como dizer que qualquer um possa realmente falar aquilo que pensa.

Cabe aos meios de comunicação peneirar as informações e a qualidade daquilo que se vai ler, muito embora todo mundo possa ler de tudo hoje em dia digitando aquilo que se quer em algum buscador da internet. Por conta disso, a revogação da lei acabou expondo aquilo que já estava óbvio, o poder da informação não é mais controlado pela mídia, talvez pelo Google, rs.

Ter um blog hoje em dia é quase que um portifólio de quem trabalha com comunicação, blogs especializados, blogs informativos, blogs para downloads, blogs de opinião, de arte, de sacanagem, de literatura, de design, de política… blogs. Aquilo que é chamado de coluna nas revistas criou perninhas e saiu andando pela internet, e não há quem possa controlar todo esse conteúdo. Se há qualidade ou não, isso só quem vai poder julgar é o leitor.

Só aqui no Brasil que o jornalismo é tratado desse jeito, o jeito do monopólio. Parece que não esqueceram da monocultura da cana e do café, e vão implantando esse sistema em tudo o que é possível. Liberdade de expressão foi um dos motivos para que a lei fosse revogada, e agora? Como vão usar esse monopólio, não é mesmo?

Não acho que jornalismo hoje em dia é feito por blogueiros, mas acho que os blogs foram surgindo por pessoas que tem muito o que falar e que aos poucos foram conseguindo espaço para divulgação. O ser humano tem a necessidade de se expressar, e aqui tudo é cortado, editam as cartas dos leitores, editam as informações, editam as imagens, editam as fontes. Editam tudo até chegar no ponto do brasileiro acreditar mais nas manchetes do que em um documentário, porque documentário faz as pessoas pensarem, e a mídia quer pensar por eles. E agora?

Nem todos os blogueiros escrevem posts de qualidade, nem todos eles são contra os jornalistas e nem todo mundo sai ganhando com essa revogação, mas uma coisa é fato, a comunicação vai mudar daqui pra frente, e creio eu, que para melhor.





Em prol da pós em Jornalismo

22 06 2009

Semana passada foi aprovada a revogação da lei que exigia o diploma em Jornalismo para exercer a profissão, e surpresa minha, a maioria dos meus amigos ao ler a notícia se lembrou de mim.

Quem acompanha o blog sabe que eu já quis ser jornalista e quando tentei o vestibular  fiquei no limiar da nota de corte. Mas, acabei me achando em Letras, e também defendendo o curso para muita gente que pensa que 5 anos de faculdade servem apenas para ser professor. (Vide post)

Conversando com alguns amigos da área de Ciências Humanas (Letras se insere nisso em públicas, e em alguma particulares em Comunicação) a maioria chegou à mesma conclusão que eu, que não é que jornalista não precise de diploma, mas que o diploma deveria ser duplo.

Vamos mais fundo nisso, ok? A Reuters, por exemplo, é a maior especialista em Economia e todos os jornalistas contratados devem ao menos, se interessar por essa área para assim conseguir trabalhar por lá. Se um economista, interessado em divulgar ideias, novidades e afins de sua profissão fizesse uma pós em jornalismo, isso não garantiria maior qualidade para o meio de comunicação especialista nisso? Outros casos, por exemplo, os jornalistas mais competentes nunca param no curso de Jornalismo, muitos dos colegas fazem: Ciências Sociais, Letras, História, Direito… sempre focando melhorar a especialidade na profissão.

Muitos dos escritores de best sellers gostavam de escrever quando eram pequenos, e quando cresceram acabaram virando jornalistas porque dizem que quem gosta de escrever tem que ser jornalista, já que escritor morre de fome (e no fim acabaram ganhando dinheiro escrevendo livros! hahaha). Li a biografia de uma escritora ontem, que escrevia livros quando tinha 12 anos, se formou em Jornalismo, mas depois que lançou seu primeiro best seller, foi fazer Letras.

As pessoas procuram se especializar, principalmente aqueles que realmente gostam da profissão, então porque Jornalismo não vira apenas um curso de pós? Assim, jornalista esportivo: Educação Física + Pós em Jornalismo; jornalista de moda: Moda + Pós em Jornalismo, jornalista de culinária: Gastronomia + Pós em Jornalismo. E para quem quer ser redator, revisor, editor: Letras + Pós em Jornalismo.

A minha ideia não é absurda e nem exclusória, é mais racional. Sei que podem aparecer um monte de jornalistas contra isso comentando aqui no blog, mas eu não estou pedindo que aceitem, apenas estou divulgando aquilo que penso. Ainda não entra na minha cabeça que 5 anos de gramática profunda, literatura de duas culturas, mais de duas línguas e optativas em áreas diversas (curso de Letras) seja visto por quem emprega como curso de Professor, ou curso para Secretária bilíngue.Alguém pode me responder, aonde que jornalista sai ganhando nisso?Agora, sem o diploma, competimos páreo a páreo.

Deve ser por isso tudo que meus amigos se lembraram de mim… não é preconceito, é questão de competência, e ainda reforço, aqueles que são bons jornalistas não vão se importar muito com isso, porque com certeza estão sempre se aprimorando… já os mais cabrestos, estão por aí na televisão comparando a profissão com outras como Direito e Medicina, fazendo perguntas esdrúxulas como: – Você confiaria sua vida a um médico sem diploma? Nem vou responder essa.

Um orgão que sempre admirei foi a Folha de S. Paulo, que oferece um curso para quem quer ser jornalista de lá, independentemente da graduação cursada, o candidato passa por um processo de seleção rígido, mas aqueles que querem mesmo, conseguem. E ainda, aprendem na prática como serem jornalistas levando uma bagagem com eles de uma graduação distinta.

Já a Abril oferece o mesmo curso, SOMENTE para quem quer ser jornalista da casa… mas, sobre isso eu não posso comentar mais, e os mais chegados sabem o porquê. =)

Um dos ministros que aprovou essa revogação usou como argumento uma coisa que eu SEMPRE falo, deve ser por isso que reli a matéria enviada por jurídico daqui umas 3 vezes, só para ler a frase: “Há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”. Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico. (Carlos Ayres Britto)

E para aqueles que devem estar descontentes com a lei, e com meu post, digo que não estou comemorando, ainda que muitos não mereçam, tenho respeito pela profissão, mas fico feliz de saber que muita gente que conheço e de extrema competência, também estará apto a poder divulgar suas ideias em meios de comunicação diversos sem que um diploma específico barrem-nos de falar sobre aquilo que realmente sabem.

Ah e uma ressalva, nada contra professores e secretárias bilíngues, mas é que são vagas que vira e mexe me mandam, sem que eu tenha colocado no perfil que eu realmente queria. Todas as profissões são dignas, só queria que houvesse mais pessoas com a mente aberta para os benefícios que todos os cursos podem trazer.