Reforma no curso de Letras

5 01 2010

Símbolo do curso de Letras

Muita gente procura O Basculante para ler os posts sobre o curso de Letras, por conta disso decidi fazer mais um da série. A maior dúvida de quem faz Letras é saber em que área pode atuar sem ser o campo de ensino, isso eu abordei no post  Profissão Letras. O embate começa com a distinção de ensino nas universidades públicas e das privadas, não que uma seja melhor do que a outra, mas o foco é diferente.

Quando vemos o curso de Letras em faculdades privadas, geralmente encontramos: licenciatura português/ inglês, português/ espanhol, às vezes lingüística e em outras o foco em tradução e intérprete, isso quando o curso de tradução não é desvinculado do curso de Letras, como na Unibero. Em algumas faculdades o curso chega a ser colocado junto com a área de comunicação, e se pode escolher até uma habilitação na área editorial como é o caso do Mackenzie (não estou fazendo propaganda), já em outras universidades como a USP ou a Anhembi Morumbi a área editorial é separada do curso de Letras. Nas universidades privadas, como chega a ser clichê, o enfoque é formar profissionais prontos para atuar no mercado, seja dando aula, traduzindo ou editando.

Já nas universidades públicas o foco é o ensino, não apenas para ser professor, mas para ser pesquisador, cientista, liderar projetos para se descobrir novas fontes de conhecimento. Não digo que quem se forma por uma universidade pública não esteja apto a trabalhar em editoras, em redações, ser revisor, ou outras tantas opções do leque, a diferença é que a prática de um universitário público depende do quanto ele se esforça para ir atrás daquilo que ele realmente quer ser. Isso é válido para a maioria dos cursos nas universidades públicas em todo o país.

Uma boa solução seria que houvesse o fim dessa dicotomia do foco mercado e foco ensino e os cursos de Letras oferecidos pelo país pudessem dar aos alunos um maior poder de escolha, a implantação de mais disciplinas teóricas em cursos privados, bolsas para pesquisa e a implantação de estágios alternados em áreas diversas em faculdades públicas seria uma boa saída. Isso não acabaria com a pesquisa em escolas públicas, ou com a preparação para o mercado em escolas privadas, mas daria maior qualidade aos alunos de Letras e faria com que o próprio mercado enxergasse que o contingente letrado que se forma todos os anos vai além do ensino, da tradução ou pesquisa.

Tentei uma vez discutir isso na minha aula de literatura portuguesa VI, tem muita gente que me apóia e tem muita gente que acha que o curso está bom do jeito que é, mas o caso é que eu penso que ao invés de fazer greve pelos mesmos motivos todos os anos, os alunos de Letras nas universidades públicas deveriam pedir uma reforma na grade, afinal todos sabemos que embora toda profissão precise de profissionais que a ensinem e a passem adiante em cursos superiores não é 100% dos alunos que deseja ou vai trabalhar nessa área.

Para quem se interessou pelo símbolo, o site para adquirir um é: http://www.Brilhartes.com

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