Enxergando-se no outro

20 03 2010

Todos os dias em que nos levantamos e nos olhamos no espelho para lavar o rosto e escovar os dentes, percebemos no meio desse ritual que mais um dia vai começar e, é olhando no espelho, que sabemos como vamos conseguir encarar as tarefas diárias.

Há dois outros tipos essenciais de espelho: a expressão de nosso rosto e a forma como somos vistos pelo olhar dos outros. Muitas pessoas, como eu, não conseguem esconder certas emoções na expressão fazendo com que seja fácil detectar se não estamos bem com alguma coisa ou se estamos verdadeiramente felizes. Daí vem o olhar do outro, daqueles que importam e ao mesmo tempo não.

Se pararmos para pensar vira um clichê o “você não deve se importar com o que os outros pensam”, mas depende muito de quem é esse “outro”. Nascemos em meio a uma família, na maioria das vezes, e o olhar familiar conta não para que você se importe e mude por isso, mas como um alerta de que você está agindo ou se expressando de uma forma que não é você. Depois, temos o olhar dos amigos, que é família que a gente escolhe, esse olhar funciona como o familiar, mas te alerta sobre sua face social, alerta que o problema que te atormenta saiu do âmbito íntimo e está nítido para aqueles que convivem com você fora da casquinha de ovo que é sua casa. Há também o olhar da pessoa que você ama, seja seu marido, mulher, namorado (a)… Esse olhar conta em triplo, primeiro porque ele (a) tem a intimidade que você tem com sua família, segundo porque toda relação que se preze é baseada em uma amizade e terceiro porque quando as pessoas se amam de verdade tudo o que acontece com o outro, o ser amado sente. E na maioria das vezes esse alerta é para dizer que você deve fazer algo para que continue bem na relação.

Às vezes arrastamos tanto um problema nosso, colocando tantas outras prioridades na frente, que quando nos damos conta isso nos transforma e acabamos nos tornando o problema e deixando de ser quem realmente somos. Os olhares espelho de alerta servem para te dizer que é chegada a hora de fazer alguma coisa, não pelos outros, mas por você mesmo. Quanto mais você é querido pelos outros mais eles vão sentir, e ainda bem que enquanto a gente vive tudo pode mudar, e para melhor. A confiança tem que vir de você mesmo, e não daqueles que te alertaram, pois  muitas vezes as pessoas vão duvidar de você, aliás, isso acontece todos os dias… Ser uma pessoa forte é saber confiar em você acima de tudo, acima de todos. Quando você confia em si mesmo os outros automaticamente vão perceber isso em você.

Amadurecer não é algo que seja fácil, não é algo que seja comprável… Amadurecer é saber encarar problemas de frente utilizando experiência anterior, é saber aprender a resolver coisas que antes não pareciam ter solução. Todo mundo tem medo, todo mundo tem limitações, mas isso são obstáculos que podem e devem ser ultrapassados. Todo mundo erra, e todo mundo deve saber perdoar isso também é sinal de amadurecimento porque em determinadas situações, pode não ser algo fácil. Enquanto a gente vive temos oportunidades, chances e devemos saber identificá-las e tirar proveito máximo delas, principalmente quando acreditamos que vale à pena.

Encarar o olhar dos outros como espelhos de alerta é bom para o próprio crescimento, incentivar o olhar dos outros para suas virtudes, também. O relacionamento com os outros não é sempre um mar de rosas, porque somos todos seres diferentes, mas o relacionamento com si próprio deve ser sempre o melhor possível porque estar bem consigo mesmo é estar de bem com o mundo.

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One response

24 03 2010
Daniel Caetano

Vânia,
Concordo com muito do que você disse, mas queria fazer um comentário sobre o “clichê”: “Não devemos nos importar com o que os outros pensam”. Ora bolas, claro que devemos nos importar. Só não devemos dar um peso desproporcional a isso! 🙂
Pessoalmente, acho sempre bom ouvir o que os outros tem a dizer – e me importo com isso; isso não quer dizer que eu acate, atenda ou mesmo considere seriamente tudo que me dizem.

Beijo.

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