“Infelicidade é questão de prefixo” (Guimarães Rosa)

27 10 2009

Quem acompanha o blog vira e mexe nos últimos meses notou a onda de posts subjetivos que tomaram conta daqui, e quem me segue no twitter vê que eu descarrego a raiva, a tristeza, a angústia e o alívio em situações, nunca na forma como eu enxergo o mundo. Não é questão de jogar a culpa no outro ou em alguma coisa, mas pela primeira vez eu terei que assumir que a sociedade e a educação tanto familiar quanto moral influem sim naquilo que eu sou.

Li uma matéria (essa aqui: http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/1416) que fez com que eu enxergasse os motivos da minha infelicidade momentânea, e é tudo devido a aquilo que eu ando almejando, tá certo que o ser humano é movido por desejos, sonhos… mas, a mulher é bem pior. Digamos que eu compro roupa e ganho sorrisos largos no rosto aumentando meu guarda-roupa, mas isso tem que ser feito a cada estação. Homens compram roupa porque precisam, ou porque aquela favorita rasgou (isso se eles trocam), ou quando engordam e veem que aquela camiseta preferida não entra mais. Eu fico triste quando todo o esforço que eu ando fazendo, não me traz todo aquele material que eu desejo, ou a segurança finaceira que eu tanto quero. Mulheres entram em crises porque ao invés de comemorar alguma conquista, já estão lamentando porque querem outra.(Ou no caso eu algumas vezes, e outras tantas que eu conheço).

Eu gosto de moda, meu namorado de cartas de Magic, eu gasto com sapatos, bolsas, acessórios, e ele é feliz jogando video-game com os amigos. Mulheres não conseguem ser felizes com algo simples, a gente sempre tem que ter aquele algo mais. Ele tem um tênis para sair, um tênis para jogar tênis, e um pro dia a dia, quando muito um sapato para ocasiões sociais. Eu surto porque tenho apenas uma sandália rasteira pro verão que não combina com a cor dos meus outros vestidos, enquanto ele, usa chinelo. E num é que a culpa é minha, parte dela é porque me deixo influenciar pelas tendências da moda, mas eu quero ficar bonita (principalmente pra ele). A gente coloca na cabeça que a roupa que a gente veste, ou as coisas que a gente tem que ter é que vão nos fazer felizes, e isso é assim na Tv, nas revistas, na internet… mesmo eu tendo um corpo que milhares de mulheres sonham em ter, tendo o cabelo liso que outras milhares almejam, ainda assim se eu não me cuidar posso ser taxada mal.

Se eu quero me casar depois dos 30 porque quero crescer profissionalmente e viajar pelo mundo, eu tenho o risco de ficar para titia ou ter dificuldade de engravidar. Se eu sou mãe antes dos 25 é uma dó porque eu tinha todo um futuro pela frente, se eu penso em me casar sem ter filhos aos 27 anos, preciso arranjar o homem que vai querer casar comigo… e assim é com muitas mulheres por aí. Por isso que os homens dizem que eles não entendem as mulheres, nem eu entendo.

Porque eu não posso ficar feliz passando uma noite jogando conversa fora num barzinho com as minhas amigas? Porque eu tenho que sofrer em não poder comprar uma bolsa Guess de R$3 mil,  enquanto meus amigos vão pro salão do carro e já voltam realizados de terem chegado perto de um daqueles carros maravilhosos?
Eu virei uma mulherzinha e sofro com a síndrome de mulherzinha! hahahah

O comentário desse tal Barney (na matéria citada acima), foi a melhor síntese desse caso:

“Talvez o homem seja mais feliz porque espere menos do mundo. E precise de menos para ser feliz. Sobre o homem não há tantas pressões a respeito da beleza, exatamente porque para ele tanto faz. Nem da moda. E, para os homens, casar ou ter filhos não é um sonho primordial. E assistir a um jogo de futebol em que seu time ganha e tomando uma cervaja com os amigos faz o dia de a maioria dos homens ser quase perfeito. Para as mulheres, um dia perfeito é beeeemmmmmm mais dispendioso…

Um homem olha uma Ferrari mas não se deprime porque nunca terá uma. Ele admira o carro e pronto. E não se deprime porque nunca será um Ronaldo. Já as mulheres em geral se angustiam por dentro quando vêem uma linda modelo, magrinha. E têm uma centena de sonhos dos quais sua felicidade e realização dependem necessariamente. Entre eles estão ter filhos, casar-se, realizar-se profissionalmente do jeito que idealizou na adolescência, ter um corpo bonito, ser sempre notada, ser amada, ser a mais bonita da festa…

Não estou dizendo que as mulheres estão erradas. Nem que os homens estão certos. Mas é que duvido muito que, se de fato todos os homens ajudassem em tarefas domésticas e a cuidar dos filhos, as mulheres seriam mais felizes. E a autora do texto atribui muito a culpa da infelicidade delas a isso. Acredito que o problema está mais na cabeça que fora dela. Nas expectativas de infância e adolescência que as mulheres se impõem para serem felizes.”

Quer saber Barney, quem quer que você seja, eu concordo plenamente com você, e acho que vou começar a ter visão de homem em determinadas coisas.

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2 responses

27 10 2009
Barney

Hehehe Tô ficando famoso…
Pode usar minhas palavras à vontade. Se tiver ajudado, me dou por satisfeito.

16 11 2009
sil

Hey beauty,
Mulher é um bicho esquisito mesmo….:)
Acho que o grande problema é que tentamos 24 horas chegar á perfeição. Não aceitamos nada que não seja perfeito.Isso aliado ao poder da mídia de nos fazer sentir miseráveis se não consumir uma marca específica, não tiver peso certo,etc… Então não é só nossa culpa, os homens também não querem sair com uma garota que não se encaixe nos padrões… Mesmo que eles não admitam:)
bjs

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