A escolha da leitura

21 08 2009

Fiz um curso faz quase um mês sobre Marketing Editorial, nesse curso pude conhecer pessoas de diferentes editoras e trocar ideias. Numa das nossas discussões em grupo para concluir o projeto da editora fictícia, surgiu a questão da leitura de cada um, em geral.
Falaram que quando estamos em metrô e ônibus e vemos homens e mulheres lendo, a tendência é ver mulheres lendo mais auto-ajuda, best sellers e assuntos diversos, enquanto que os homens buscam leitura que tenha mais a ver com sua profissão, não que isso seja uma regra, mas é comum.

Eu leio aquilo que me interessa e de acordo com o que estou sentindo em determinada época, posso ler Harry Potter, Warren Buffet, livros em outros idiomas e até o best seller do momento, se eu quiser. Mas, notei que há um baita preconceito quanto a isso.

Na faculdade eu andei circulando com o terceiro livro da série Crepúsculo, o Eclipse, que é um romance para passar meu tempo livre dentro do transporte público. Confesso que nunca tinha me interessado por ele, mas porque não ler? A minha primeira impressão foi comentada com a minha irmã: – O livro como minha opinião de quase bacharel em Letras é pobre em conteúdo, em enredo, mas como história para vender ele funciona, ele cativa.
Oras, vivo lendo coisas na faculdade que sugam meu cérebro até dizer chega, textos filosóficos, críticos, que ficam bajulando-se uns aos outros, sem que você possa entender direito, porque não leu toda a bibliografia que o autor se baseou para escrever, e há pessoas que se vangloriam por entender isso. Num país como o nosso que a média de livros é muito baixa, porque é que eu vou julgar fulano por ler um best seller de moda, chiclete e clichê? Ao menos, é uma leitura.

Aposto que ele lia gibis para descansar a mente

Aposto que ele lia gibis para descansar a mente

Voltando a faculdade, o livro, coitado, encontrou-se com olhares tortos, caras feias e pensamentos que posso imaginar: – Gente, essa menina faz letras e traz isso para faculdade?, e leio mesmo. Não será Foucault que irá distrair minha mente, a amargura da Lispector que vai me deixar feliz, a ironia de Machado, a linguagem truncada dos textos de portuguesa de séculos atrás. Existe leitura para tudo, para todas as sensações, mas nunca se deve julgar o leitor pelo livro que ele carrega, embora todo mundo faça isso, inclusive eu.

Julgar o livro pela capa, o conteúdo pelo título, a reputação pela sinopse de críticos… no fim, você só vai ter uma opinião mesmo quando tive lido a obra. Ainda que numa onda de ebooks, e tecnologia as pessoas ainda guardam, compram e emprestam os bons livros impressos.

Eu ainda leio blogs alheios, leio manchete de jornal, leio bula de remédio, embalagem de xampu (descobri um erro ortográfico outro dia) e qualquer coisa que tenha letrinhas e esteja ao meu alcance e que varie como meu humor. E esse post vai para todos que julgam as pessoas por aquilo que elas leem (nova gramática). Se você é brasileiro, deve sentir orgulho que ao menos a pessoa lê.

Se uma conversa com uma pessoa que lê best seller tiver menos conteúdo do que uma que lê textos truncados por diversão, garanto que a primeira ainda saberá se divertir mais, enquanto que a segunda sofrerá até encontrar um grupo seleto que entenda aquilo que ela pensa. O importante aqui, é que não importa o conteúdo lido, todos que leem tem alguma base.

E você, como julga os leitores?

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7 responses

22 08 2009
May

Olha penso igual a você com relação aos diferentes tipos de livros, o importante é ler.
Eu leio de tudo, inclusive prefiro ler o livro pra depois critica-lo (se assim desejar), como trabalho em uma Biblioteca de Colégio Estadual, muitas vezes leio um livrinho que não me agrada muito mais os alunos adoram só pra poder entender o que se passa na cabeça deles. Os livros que usava e ainda leio muitos da faculdade são totalmente diferentes, então pra mim tudo é distração, mas enquanto estou no trabalho prefiro ficar lendo os contos que estão na prateleira. Leio lá, deixo lá, no outro dia, outros contos, em casa só livros da minha formação (nutrição).
Li Amrik meses atrás, eu achei uma leitura meio complicada, cheio de frescura, mistura de línguas e muitas letras e letras perdidas, demorei uns 2 meses pra desistir de reler pra tentar entender melhor, mais valeu a pena. Li Budapeste e não gostei muito não, acho que é por que quando leio eu viajo na história e me sinto sempre um personagem, aí fui trocando de personagem mais não gostei, por isso acabei me sentindo meio mal com o desenrolar dela, pra cada lado que ia a situação era mais constrangedora e desagradável pra mim, mais com muito custo terminei o livro.
Trabalhando no colégio percebo como a leitura e a escrita não é muito importante para alguns, o povo fala errado e escreve mais errado ainda, existem alunos que chegam ao ensino médio e infelizmente não sabem o que estão lendo, não conseguem juntar letrinha com letrinha, sílaba com sílaba, e acabam sendo a maioria dos alunos.
Confesso que fico indignada e muito irritada com alguns livros, mas mesmo assim eu sempre leio eles antes de reclamar depois, menos aqueles romances tipo “Sabrina e etc”, não suporto eles mesmo, não tem salvação.

22 08 2009
Elton

Querida!
Uma coisa interessante do seu texto é a forma de colocar uma pergunta no final que nos intiga a buscar uma resposta, se não aqui no comentário, na nossa imaginação.

Como fiz letras também, percebi a mesma coisa que você. Cria-se um mal-estar ao se ver uma pessoa com um livro cujo conteúdo é dito duvidoso.
Concordo em parte com você, li a coleção toda do Harry Potter e às vezes retomo meus velhos gibis pra relembrar como era. Foram ferramentas importantes para que eu pudesse chegar onde cheguei hoje, apaixonado pela literatura.
Porém, acho que o que acontece, é que como uma motivação de leitura, eles são ótimos, mas o que acontece é que a maioria das pessoas fica adestrada para ler apenas esse tipo de escapismo e conteúdo sem qualidade e não suporta ler outra coisa, ou seja, a mente aberta, o não-preconceito está mais em nós, que temos que engolir os clássicos, e que lemos os “inclássicos” do que nas outras pessoas, que se bloqueiam a nossas sensações estéticas, que ficam só no escapismo.
As pessoas mal leem, verdade, ler os best sellers é uma grande alavanca, mas temos que motivar, atentar ao fato de dar o próximo passo, saca?
Bom, essa é minha opinião.

27 08 2009
mmurtas

Concordo contigo, Van.
Gira um baita pré-conceito em torno do Status do material que você está lendo. E triste de quem pensa assim: variar estilos, gêneros, e tipos de leitura pode ser muito enriquecedor.
O que você faz, por acaso, é recomendado por todos os professores que tive aula até agora. Qualquer informação ou modo de estruturação de texto pode ser importante se você fizer bom uso da “experiência”.

3 09 2009
sil

Hey beauty,

Eu sou suspeita pra falar, voce sabe que eu adorei a série dos vampiros, eu tenho um fraco por eles,hahahha
Mas lá na sua faculdade tem uns tipos que se acham senhores do conhecimento, de uma cultura acima do humano, e ficam olhando pra nós(me refiro a minha pessoa) pobres mortais que leem jornais, gibis e best sellers como se fôssemos anormais.Eu não ligo e nunca liguei se o autor é filósofo, lixeiro ou professor.Leio tudo o que está ao meu alcance, comento blogs, e me divirto pra caramba.Ler é muito legal.É bacana.E tem que ser divertido:)
bjs

2 01 2010
Juliana Rangel De Oliveira

Oi B.
Bem, descobri seu blog meio que por acaso depois de te procurar pelos sites de busca. Nem preciso dizer que amei encontrar né?
Sou uma aspirante estudante de letras (sou vestibulanda) e estou tentando pela terceira vez, amo livros, amo o mesmo mundo que o seu e me identifiquei muito.
Está ótemo
bjus, rsrs

2 01 2010
Vânia

Olá Juliana,

Fico feliz que tenha gostado do basculante, embora ele trate de assuntos diversos os estudantes de Letras são muito bem vindos! Só acho talvez que você tenha confundido a autoria, meu nome não começa com B não, rs.

Ótimo ano para você, e continue lendo o blog.

Bjos!

30 03 2011
Camila

Já passei por situações parecidas, ano passado estudei muito para o vestibular, mas sempre tinha um livro para distrair na bolsa, eu o lia no ônibus, nos intervalos da escola, antes de dormir, etc. Ora eu lia Jostein Gardeer (O Mundo de Sofia e O Dia do Curinga, são ligados a filosofia, mas são também imaginativos, interessantes) e atraia a atenção dos professores que vinham conversar comigo cometar e tudo mais, na semana seguinte quando eu aparecia com Crepúsculo ou O Ladrão de Raios (séries que eu adoro), esses mesmos professores olhavam torto, um chegou a me dizer que eu estava descendo o nível!
Agora (finalmente) estou cursando letras português/literaturas e percebi que alguns dos meus colegas de classe tem o mesmo preconceito.
Dizer que não gosto dos livros de José de Alencar foi quase um crime federal (afinal, a própria biblioteca da minha universidade se chama José de Alencar!). Também leio Machado de Assis, Clarisse Lispector e Shakespeare por interesse. Já José de Alencar e Lima Barreto por obrigação, mas não acho que eu seja menos “intelectual” que eles por causa disso.
É bom saber que não sou uma completa estranha no curso, que existem outros estudantes de letras que tem a mesma posição que eu. Já estava até ficando preocupada rs’

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