Em prol da pós em Jornalismo

22 06 2009

Semana passada foi aprovada a revogação da lei que exigia o diploma em Jornalismo para exercer a profissão, e surpresa minha, a maioria dos meus amigos ao ler a notícia se lembrou de mim.

Quem acompanha o blog sabe que eu já quis ser jornalista e quando tentei o vestibular  fiquei no limiar da nota de corte. Mas, acabei me achando em Letras, e também defendendo o curso para muita gente que pensa que 5 anos de faculdade servem apenas para ser professor. (Vide post)

Conversando com alguns amigos da área de Ciências Humanas (Letras se insere nisso em públicas, e em alguma particulares em Comunicação) a maioria chegou à mesma conclusão que eu, que não é que jornalista não precise de diploma, mas que o diploma deveria ser duplo.

Vamos mais fundo nisso, ok? A Reuters, por exemplo, é a maior especialista em Economia e todos os jornalistas contratados devem ao menos, se interessar por essa área para assim conseguir trabalhar por lá. Se um economista, interessado em divulgar ideias, novidades e afins de sua profissão fizesse uma pós em jornalismo, isso não garantiria maior qualidade para o meio de comunicação especialista nisso? Outros casos, por exemplo, os jornalistas mais competentes nunca param no curso de Jornalismo, muitos dos colegas fazem: Ciências Sociais, Letras, História, Direito… sempre focando melhorar a especialidade na profissão.

Muitos dos escritores de best sellers gostavam de escrever quando eram pequenos, e quando cresceram acabaram virando jornalistas porque dizem que quem gosta de escrever tem que ser jornalista, já que escritor morre de fome (e no fim acabaram ganhando dinheiro escrevendo livros! hahaha). Li a biografia de uma escritora ontem, que escrevia livros quando tinha 12 anos, se formou em Jornalismo, mas depois que lançou seu primeiro best seller, foi fazer Letras.

As pessoas procuram se especializar, principalmente aqueles que realmente gostam da profissão, então porque Jornalismo não vira apenas um curso de pós? Assim, jornalista esportivo: Educação Física + Pós em Jornalismo; jornalista de moda: Moda + Pós em Jornalismo, jornalista de culinária: Gastronomia + Pós em Jornalismo. E para quem quer ser redator, revisor, editor: Letras + Pós em Jornalismo.

A minha ideia não é absurda e nem exclusória, é mais racional. Sei que podem aparecer um monte de jornalistas contra isso comentando aqui no blog, mas eu não estou pedindo que aceitem, apenas estou divulgando aquilo que penso. Ainda não entra na minha cabeça que 5 anos de gramática profunda, literatura de duas culturas, mais de duas línguas e optativas em áreas diversas (curso de Letras) seja visto por quem emprega como curso de Professor, ou curso para Secretária bilíngue.Alguém pode me responder, aonde que jornalista sai ganhando nisso?Agora, sem o diploma, competimos páreo a páreo.

Deve ser por isso tudo que meus amigos se lembraram de mim… não é preconceito, é questão de competência, e ainda reforço, aqueles que são bons jornalistas não vão se importar muito com isso, porque com certeza estão sempre se aprimorando… já os mais cabrestos, estão por aí na televisão comparando a profissão com outras como Direito e Medicina, fazendo perguntas esdrúxulas como: – Você confiaria sua vida a um médico sem diploma? Nem vou responder essa.

Um orgão que sempre admirei foi a Folha de S. Paulo, que oferece um curso para quem quer ser jornalista de lá, independentemente da graduação cursada, o candidato passa por um processo de seleção rígido, mas aqueles que querem mesmo, conseguem. E ainda, aprendem na prática como serem jornalistas levando uma bagagem com eles de uma graduação distinta.

Já a Abril oferece o mesmo curso, SOMENTE para quem quer ser jornalista da casa… mas, sobre isso eu não posso comentar mais, e os mais chegados sabem o porquê. =)

Um dos ministros que aprovou essa revogação usou como argumento uma coisa que eu SEMPRE falo, deve ser por isso que reli a matéria enviada por jurídico daqui umas 3 vezes, só para ler a frase: “Há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”. Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico. (Carlos Ayres Britto)

E para aqueles que devem estar descontentes com a lei, e com meu post, digo que não estou comemorando, ainda que muitos não mereçam, tenho respeito pela profissão, mas fico feliz de saber que muita gente que conheço e de extrema competência, também estará apto a poder divulgar suas ideias em meios de comunicação diversos sem que um diploma específico barrem-nos de falar sobre aquilo que realmente sabem.

Ah e uma ressalva, nada contra professores e secretárias bilíngues, mas é que são vagas que vira e mexe me mandam, sem que eu tenha colocado no perfil que eu realmente queria. Todas as profissões são dignas, só queria que houvesse mais pessoas com a mente aberta para os benefícios que todos os cursos podem trazer.

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7 responses

24 06 2009
Tati

Vânia, concordo contigo. É o primeiro texto que leio sobre pós em Jornalismo; muitos defendem um curso técnico. Eu considero que escolher uma graduação (Letras, Direito, Ciência Política…) só melhoraria a qualidade da cobertura jornalística, porque o profissional teria embasamento, teria bagagem.
Eu sou estudante de jornalismo da Universidade de Brasília, uma faculdade particular. Antes, cursei Letras, mas interrompi os estudos porque os horários se chocavam. Na Unb, você pode cursar disciplinas de outros departamentos, como Economia e Antropologia. Sei que essa “interação” não existe em faculdades particulares aqui de Brasília; nelas, o aluno cursa ‘jornalismo econômico’, ‘jornalismo cultural’, mas não aprofunda seus conhecimentos. Não adianta saber cobrir uma área se você não puder destrinchar a situação, não puder analisá-la para poder passar uma informação com mais qualidade e apuro.
Bem, enquanto não consigo voltar para meu curso de Letras (paixão adormecida), vou pegando uma ou duas disciplinas a cada semestre para alimentar minha saudade, hihi.
Parabéns pelo post, um beijo!

24 06 2009
Tati

Olá, Vânia!
Obrigada pela visita e pelo apoio. Quanto às pessoas que são contra decisão do STF, acredito que no fundo elas têm medo, estão apreensivas em relação ao futuro, ao mercado. Daí a primeira reação ser a de repúdio.

E sim, estou no Blogblogs, foi lá que encontrei seu post, enquanto pesquisava a tag de jornalismo, rs. Meu perfil: http://blogblogs.com.br/usuario/TatiTenuto

Beijo! ;D

26 06 2009
Silvio Monteiro

Acho que jornalismo é um dom. A pessoa tem que ter nascido para aquilo. Não basta fazer uma faculdade. É como fazer um cursinho de arte e querer ser um Da Vinci ou entrar numa escola de musica e ser um Mozart.

Se tivessemos que ter diploma para fazer algo, não teriamos nada hoje, visto que todos os grandes cientistas, senão os maiores, não eram formados em nada!! Exemplo maior: Isaac Newton, um guri que aos 15 anos sem ter o que fazer criou o Binômio de Neton. E Einstein que colocava na gavetinha de sua mesa teorias que parecem ter saido de Guerra nas Estrelas.

O pior de tudo, que grande parte dos jornalista hoje depende do jornalista” sem diploma, ou seja, aquele que tem lá seu blogzinho, que sai pelas ruas de periferia vendo o que acontece. Hoje, a grande maioria dos jornalistas só vão atrás de um fato quando alguém liga e os conta algo ou quando eles acham uma materia na web. Assim, pra que canudo?

24 07 2009
Júlia

Olá Vânia

Concordo com o seu ponto de vista e acho que outros profissionais devem ter também o direito de publicar suas ideias sem ter a obrigação do diploma. Aquele que buscar, se aprimorar e tiver competência irá se destacar.
Também sou formada em Letras e considero o curso bastante hábil para nos fomar bons profissionais capazes de “destrinchar diversas situações”

Um abraço

12 01 2013
Gleyce Lyan

Adorei seu post, estava hoje pensando o que fazer apos concluir minha graduação em letras, já sou professora na rede municipal e sei o quanto letras abre horizontes e exibe um leque de opções pouco conhecidas tanto para as pessoas quanto para o próprio acadêmico… Tenho um bacharelado em Direito e francamente não me apaixonei pela carreira jurídica, no entanto adoraria fazer uma pós em jornalismo e seu poste me servil de confirmação para o que fazer e o que não fazer… À três anos fiz um curso técnico em jornalismo que durou apenas um ano e me apaixonei pela área, principalmente pela parte de redação …quando me perguntam por que eu sempre faço uma faculdade após a outra eu sempre respondo que o estudo te abre possibilidades e o conhecimento não pode ser furtado, roubado e tão pouco causar constrangimento…Então sempre procuro estudar, é um investimento que jamais te deixa no prejuízo… Adorei o post…Parabéns.

4 11 2013
Maria Quitéria

Oii, eu vou prestar vestibular para Letras e jornalismo e pretendo cursar as duas, amo escrever e fazer criticas sobre alguns assuntos. Queria saber se Letras realmente complementa jornalismo ou vice e versa?

6 12 2013
Vânia

Olá Maria,

A complementação de Letras em Jornalismo depende muito da área que você vai seguir, na grade de Jornalismo há história e economia, por exemplo. Se quise seguir área da televisão ou rádio Letras não te ajudará muito, porém, se quiser seguir em assessoria de imprensa, redação o reforço em textos em português e em outras línguas é muito melhor para quem também cursou Letras.

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