Subjetividade no vestibular

10 07 2008

Um dos maiores pesadelos dos vestibulandos é a temida fase em que, além da prova de português, aparece o ‘monstro da redação’. Muitas pessoas não conseguem escrever direito porque não possuem argumentos para colocar no papel, e quando os têm não conseguem expô-los de maneira clara e objetiva.

Uma das formas econtradas para ajudar os vestibulandos é incentivar a leitura de periódicos, como jornais e revistas, e quando isso não pode ser realizado com frequência, ao menos, consultar sites de meios de comunicação em que se possa saber o que anda acontecendo no mundo, enquanto eles suam estudando. Sites mais recomendados: Uol, Folha, Estadão, Globo, Terra.

Porém, outro tema que tem aparecido com frequência e , penso eu, mais difícil de dissertar é o tema abstrato. Falar de amizade, amor, paz, gratidão… sentimentos que todos reconhecem, mas que não é fácil de transferir para o papel.

Não é engraçado como fica mais fácil escrever sobre a situação do Tibet em vez de falar em paz? Ou como é mais fácil discutir a aceitação do casamento homossexual em vez de falar de amor?

É cobrada a reflexão do estudante, a maneira como ele enxerga a manifestação daquele sentimento e como ele expõe aquilo para o mundo, de certa forma, falar em subjetividade é sempre mais complicado.

Pensando em uma escapatória, qual seria a melhor maneira de expor sua opinião para o mundo? Eu sempre escrevo uma situação que ocorreu em minha vida que me lembre o sentimento em questão, porque no fundo, não há o que argumentar.

Outro dia descobri um poema lindo sobre amizade de Fernando Pessoa, ninguém melhor que os poetas para relatar ao mundo a subjetividade da alma, e eu então mostro a vocês:

Poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias…

(Fernando Pessoa)

A dica é essa, leiam poemas, relembrem de situações em que algo os tocou. O post de hoje é uma ajuda para a galera que está na luta para um ensino superior de qualidade, inspirado na minha irmã =)

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7 responses

10 07 2008
Bonie

Que saudaaaade que me deu de redações de vestibular agora. 🙂

E de vc tb =/

11 07 2008
elton

Puxa, não fazia idéia de que as redações agora estavam se subjetivizando. Realmente as pessoas estão escrevendo de forma bastante´instrumental e prática, decoram as fórmulas argumentativas e os argumentos, a linguagem jornalística assola as páginas. Daí, você vem com uma das melhores dicas: poesia. Mas acho que as pesoas nao conseguem refletir sobre as sensações abstratas e gerias porque elas não têm mais acesso a elas de forma integral. Só temos migalhas… e as pessoas se conformam.
Espero que o vestibular sirva pra mostrar pras pessoas suas limitações, nao apenas estilísticas, mas humanas e que, assim, tentem transcendê-las.

22 07 2008
Danilo

Oi, Vania. Tudo bem?

Gostei muito do seu blog, e desculpa por demorar tanto em colocar um comentário. Acho até que foi o seu último texto que me estimulou a vir aqui comentar!! É porque ele me faz lembrar de como eu me sentia um et quando eu eu me preparava p/ essas redações. Eu simplesmente adorava os temas abstratos! Eu nem conseguia argumentar sobre, por exemplo, a poluição do planeta ou sobre a guerra no Iraque. Os fatos, no fundo, podem até dar uma brecha pra um bom texto reflexivo e que tenha a ver com a sua vida, mas no meu caso dá muito trabalho fazer isso. Ou pelo menos eu não conseguiria acreditar que o que fosse exposto seria válido, já que a fonte seria um tanto distante do mundo que eu conheço um pouco melhor, isto é, eu mesmo…

Me parece que escrever sobre fatos que a gente leu no jornal é bem mais difícil do que escrever um texto sobre uma idéia que nos diz mais respeito interiormente, e esse é o caso dos temas abstratos.

Beijos, querida.

1 08 2008
Maira

Olá minha querida Amiga Van Van!!!

Obrigada pelos lindos comentários carinhosamente colocados em meu blog!!!!

Você também escreve muito bem, adorei este texto, e creio que em breve precisarei comprar jornais para lê-los… você merece…

Meus poemas ainda são bem amadores e tento ao máximo seguir os padrões poéticos, porém, como as benditas poesias são filhas diletas de todos os sentimentos conhecidos ou não, inexplicáveis por natureza… por muito esforço consegui umas rimas ricas, nunca as preciosas,rsrsrs, mas enfim, gosto de criá-las e mais, gosto de adorá-las depois de prontas…bem psicótico não!!!

Bom, minha cara amiga que tanto faz falta… penso que uma mesinha, dois cafés, eu e você combinariam perfeitamente nos dias atuais… tenho muitas coisa pra contar…

Beijos

18 05 2009
Anny

Você poderia me falar mais sobre temas abstratos pois me interesso muito por este assunto e não tem muito sobre isto na Internet.
Agradeceria muito se você mandasse uma resposta pro meu Email.
Obrigado pela Atenção e tenha um Bom Dia!
Anny

13 08 2009
sil

Hey linda!!

Gostei bastante do tema, até porque meu cria tem certa dificuldade com redações(O Danilo que o diga) diferentemente de minha pessoa que escreve demais sobre emocões apesar de não ser muito fã de poesias…:)
Amei as dicas dos sites.Thank you!!
bjs

4 11 2010
R.

Olá!

Danilo,

A dificuldade é que você não pode pôr a sua impressão nem ser subjetivo. Então como falar de algo tão pessoal sem imprimir essa pessoalidade no papel?

Muito bem comentado, Vania, realmente é bem mais difícil do que argumentar sobre qualquer outra coisa mais objetiva. =]

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